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Boitatá

Caminhei pela mata, curioso, a passos largos, afim de identificar a fonte de toda essa claridade no meio de uma noite tão escura. Chegando perto, suor começou a escorrer pelo meu corpo. No meio de um ar tão quente, esse liquido que escorria sobre mim parecia me refrescar. E quando menos esperava, eu vi. Algo diante dos meus olhos que definitivamente não esperava ser a fonte de toda esta claridade. Labaredas de fogo a cercavam. Fumaça e cheiro de madeira queimada permeavam o ar. Seu corpo era grande, pesado, cercava uma enorme árvore queimada. E quando menos percebi ela já havia notado a minha presença. Era uma criatura enorme, com vários olhos por todo o seu corpo. Todos eles me encaravam. E eu os encarava de volta. Era como se o meu corpo estivesse sendo queimado por dentro. Como se todos os meus órgãos lentamente estivessem ficando pretos de tão queimados, como os galhos desta árvore. Minha visão foi lentamente ficando turva e comecei a ficar sem ar. Eu só fiquei ali, encarando essa enorme besta flamejante, que emanava uma energia de fúria, ódio e raiva. Fui ficando fraco, até o ponto de perder o equilibrio. Fui caindo pra trás, até tropeçar em algo. Caí no chão e desviei o olhar. Nesse instante, eu acordei. Ela ainda estava lá me encarando, mas não me atrevi a olhar de volta. O que me fez tropeçar era um corpo queimado. Ao lado desse corpo, um machado, uma espingarda e um animal morto. Foi então que só consegui pensar em sair dali o mais rápido possível. Eu corri o mais longe que pude. Esta enorme cobra talvez tenha sido a coisa mais assustadora que eu já vi na minha vida. Mas ela não me perseguiu. Me afastar da floresta foi como se eu estivesse fazendo tudo que ela queria. Foi então que eu percebi: a fonte que gerou todas estas chamas, todo este caos, não foi aquela criatura. Mas sim aquele homem.